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Mesa-Redonda 09: Temas que impactam a aprendizagem: diálogos sobre a adoção e o luto

Tipo:

Mesa-Redonda

Categoria:

Mesa-Redonda

Local:

Sala 309 - 3º andar

Data e hora:

14:00 até 15:30 em 12/07/2025

Márcia Nunes

“O luto, o cuidar e falar sobre a morte com crianças e famílias”

Resumo: A morte é o mais iminente e irrefutável existencial humano. É um acontecimento que se expressa de forma concreta (física) e/ou simbólica. O luto emerge como um fenômeno psíquico esperado, de construção de significados, em decorrência do rompimento de vínculo significativo ao sujeito, o qual se experiencia, por um tempo, oscilações comportamentais, emocionais, de sensações, sentimentos e pensamentos variados, visando adaptar-se a um novo modo de vida, sem a existência de quem, ou do que, findou o seu viver. Trata-se da vivência de um processo multidimensional, dinâmico, singular, cultural e não linear. Com o crescimento da Tanatologia, com a maior divulgação da modalidade de assistência em saúde dos Cuidados Paliativos e o impacto recente de crise humanitária pandêmica, a temática Morte e Luto está sinalizada como uma questão de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde/OMS. Nem sempre a pessoa fará um luto diante de uma morte física, assim como, nem sempre se precisa da morte física, para fazer um luto. Há perdas que são experienciadas com a profundidade de um luto, requerente de acolhimento e trato específico. O tipo de vínculo entre a pessoa vivente e a que morreu (pessoas, animais e outro objeto perdido) e seus mediadores, repercutirá na manifestação do luto. Ao considerar a morte como um fenômeno da existência e não o seu fim, pode-se questionar, lidar melhor com os mitos e tabus que o tema carrega; realizar aprendizados, viver de forma mais presente, dando um destino simbólico ao vivido. As perdas e o luto se iniciam na infância, e a compreensão da morte, como finitude é construída gradualmente, passando pela adolescência à fase adulta. A Psicopedagogia, campo que se dedica aos estudos sobre o processo de aprendizagem e suas dificuldades, com atuação em diversos espaços sociais, se depara com frequentemente com esse conteúdo, e o mesmo tende a se entrelaçar às demandas do sujeito-aprendente, podendo gerar impactos. Compreender o luto na contemporaneidade, os diferentes níveis de cuidado, seja no acolhimento, na intervenção direta, no encaminhamento e nos diálogos entre profissionais envolvidos, trata-se de um acompanhar embasado e atento ao tempo psíquico de simbolização do sujeito, sem recair em primeiras instâncias, à psicopatologização da aprendizagem, assim como, as dores da alma nos momentos mais desafiadores ou de crise humana. Cabe à Psicopedagogia instrumentalização formativa, a fim de direcionar cuidado fundamentado em sua atuação, atentando às particularidades, sobretudo em relação a criança enlutada; abrir espaço para o pensar, falar, sentir e agir, colaborando com o processo de singularização da experiência do sujeito-aprendente e o seu entorno, sintonizando-se à híbrida demanda contemporânea que envolve o processo de ensinar e aprender (como a neurodiversidade, questões de gênero, sexuais, raciais, entre outras).

 

Ana Maria Munhoz Fett

"Adoção, o escondido e as dificuldades de aprendizagem: das experiências vividas aos aportes teóricos"

Resumo: A adoção, é um tema amplamente estudado e discutido em várias áreas do conhecimento que mobiliza a todos os envolvidos. Os motivos que me levaram a iniciar os estudos sobre esse tema e compartilhar as descobertas, foi minha experiência de vida e as experiências em meus atendimentos psicopedagógicos. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a adoção é o procedimento legal pelo qual alguém assume, de modo definitivo e irrevogável, uma criança ou adolescente nascido de outra pessoa como seu filho. No entanto, a adoção não é um processo simples; trata-se de um processo complexo e subjetivo, repleto de momentos desafiadores e grandes expectativas, tanto para os pais adotivos quanto para os filhos que são recebidos em seu seio familiar. Em minha experiência profissional, tenho percebido que, pais adotivos evitam dialogar com seus filhos sobre a adoção ou até optam por não revelar a condição de adotado, com o intuito de não criar desconforto, constrangimentos ou até por desconhecimento de como proceder. Embora essas atitudes possam parecer uma medida protetiva, na realidade, podem abalar a relação familiar, suscitando desde inquietações, desconfianças, fantasias até modalidades de aprendizagem patológicas (Fernandez, 1990). É inerente ao ser humano, em alguma fase de sua vida, desejar saber sobre sua origem, procedência ou destino. Nesse contexto, um dos pontos que considero crucial discutir, refere-se ao "não dialogado", "não dito", "escondido" ou ao "não revelado" sobre o processo da adoção ou a pré-história do filho adotivo. Portanto, o objetivo de compartilhar experiências vividas e seus aportes teóricos não é fornecer respostas prontas, mas abrir espaços para o “pensar” sobre a atuação psicopedagógica na clínica e na escola e a relação entre adoção e dificuldades de aprendizagem.

 

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