Segundo dia do SBPJor debate relação entre jornalismo, grandes empresas e meio ambiente
06/11/2025
Noticias de la Asociación
Como parte da programação do 23° Encontro Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), na manhã de quinta-feira (06), foi realizada uma palestra com o jornalista Francisco José Castilhos Karam, premiado na categoria Sênior do Prêmio Adelmo Genro Filho, que reconhece trajetórias acadêmicas de destaque na área. Na ocasião, o jornalista também foi homenageado pelas suas contribuições à pesquisa em jornalismo.
O prêmio foi criado em 2004 pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo com objetivo de valorizar a atuação individual dos pesquisadores, reconhecendo a qualidade do trabalho acadêmico desenvolvido em universidades e centros ou institutos de pesquisa. A categoria sênior é uma homenagem à trajetória acadêmica de pesquisadores que contribuíram significativamente para o campo científico.
Durante sua fala, Karam delineou características do fazer jornalismo ao longo dos anos e refletiu sobre os desafios impostos pelas relações de poder que permeiam o campo. “Grupos de poder econômico, bélico e políticos financiam parte das pautas, o que não invalida o jornalismo, porque as contradições possibilitam o fazer bom jornalismo”.
O jornalista e pesquisador Francisco José Castilhos Karam, premiado na categoria Sênior do Prêmio Adelmo Genro Filho, durante palestra realizada na manhã desta quinta-feira (06) / Foto: Rafaela Rothstein
Com muito carisma e ironia, o professor também citou a falsificação da realidade, também causada pelo uso da inteligência artificial, questões de hegemonia, jornalismo e guerra, desigualdades, o que levou o público a refletir sobre o fazer jornalismo. Como encerramento da palestra, o pesquisador recebeu salva de palmas por toda sua contribuição no campo do jornalismo e por inspirar as novas gerações de pesquisadores em jornalismo.
Francisco José Castilhos Karam é professor na graduação, mestrado e doutorado em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP) e pós-doutor em Comunicação pela Universidade Nacional de Quilmes, Argentina. Já participou de programas de Jornalismo em Cuba, Estados Unidos e Espanha.
Quem financia o jornalismo?
Seguindo a programação matutina do segundo dia de SBPJor, as pesquisadoras Karina Gomes Barbosa, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e Ana Lúcia Prado, da Universidade Federal do Pará (UFPA) participaram da mesa de debate com o tema As desigualdades e conflitos do Sul Global na pauta da pesquisa em Jornalismo, com mediação de Marta Regina (Ufop).
A mesa de debate, por sua vez, levantou questões sobre a relação entre jornalismo e oligopólios, e como esse financiamento impacta, entre outras coisas, no meio ambiente. A professora Ana Lúcia Prado contextualizou a produção jornalística na região Norte, apresentando que empresas como a Vale, ligada à desastres naturais, financiam jornais tanto locais quanto a nível nacional, como a Folha de São Paulo. Dessa forma, expõe como veículos grandes de comunicação não noticiam as devastações ao meio ambiente, enquanto jornais independentes são os únicos a dar visibilidade para essas questões.
Além disso, a professora relatou as dificuldades da pesquisa em jornalismo nesse contexto. “É desafiante fazer pesquisa em jornalismo em uma região que está com o jornalismo enfraquecido, e com financiamento público em pequenos percentuais, nós precisamos de financiamento para a universidade”.
As pesquisadoras Karina Gomes Barbosa (Ufop), Ana Lúcia Prado (UFPA) e a mediadora Marta Regina (Ufop) durante a mesa de debate “As desigualdades e conflitos do Sul Global na pauta da pesquisa em Jornalismo”, realizada na manhã do segundo dia do 23º SBPJor / Foto: Júlia Daniel
Já Karina, relatou como foi o período do rompimento da barragem de Mariana enquanto professora de jornalismo de um jornal laboratorial: “eu não sabia ensinar jornalismo diante do que estava acontecendo”. A pesquisadora expôs como a escrita jornalística tem produzido narrativas excludentes, e ressalta as potencialidades do texto oral e da palavra dita “O testemunho precisa da fala e da escuta”.
Ela explica que o testemunho advindo do trauma traz um passado que contamina o presente e que deixa o sujeito à beira da morte, o ato de narrar como delineador de uma imagem. De forma que, o jornalista carrega essas palavras do testemunho.
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