Investigadores da sátira política debatem a contribuição do humor no jornalismo
11/04/2025
Association News
Na tarde desta terça-feira (04), foram realizadas as duas últimas sessões temáticas da terceira edição dos Encontros Internacionais de Pesquisa em Jornalismo (REIJor). A primeira teve como tema A Irreverência Política e Histórica, e tratou de estudos sobre sátira política, imprensa independente e resistência cultural. Já a segunda foi marcada pelo tema Humor Digital e Novos Formatos, com análises de conteúdo jornalístico em redes sociais e narrativas criativas.
Irreverência e a sátira no jornalismo político
A apresentação que deu início às sessões da tarde foi a Tentativa de golpe de Estado: análise da representação da denúncia contra Jair Bolsonaro no humorístico Sensacionalista, dos pesquisadores Renata de Paula dos Santos, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e Ronaldo Antonio Miani, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
- Confira também: Pesquisadores debatem informalidade, ironia e crítica social no jornalismo contemporâneo
Os pesquisadores trouxeram para debate o termo “manchetes satírico-ficcionais” como recurso utilizado pelo veículo analisado. Manchetes essas que criticavam a política de uma maneira humorística e bem aceita pelo público.
O trabalho seguinte seguiu a mesma linha. Intitulado Contester par l’irrévérence: Norbert Zongo et la presse indépendante en contexte semi-autoritaire au Burkina Faso (Contestando através da irreverência: Norbert Zongo e a imprensa independente num contexto semi autoritário em Burkina Faso, em tradução livre) do pesquisador Jean-Pierre Sawadogo da Université Libre de Bruxelles, Bélgica, o trabalho analisa a irreverência como algo muito maior do que uma escolha estilística, a partir da imprensa de Burkina Faso.
“A irreverência é uma estratégia discursiva que, em um contexto semiautoritário, expõe a ‘democracia de fachada’, reformula as normas democráticas e responsabiliza a opinião pública”, destacou.
Refletindo sobre opinião pública e credibilidade do jornalismo, o pesquisador Alvaro Santos Simões Junior, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), trouxe a apresentação Alberto Cantagalo, poeta do algarve: farsa lítero-jornalística contra o decadentismo-simbolismo português (1892-1893).
No trabalho, o professor faz uma análise dos jornais de Lisboa que publicavam os textos de Alberto Cantagalo, como se fossem verdadeiros obra e autor. Sendo extremamente irônico e satírico, o público não o viu como verdadeiro, mas na visão do pesquisador as críticas feitas tiveram o impacto esperado.
Humor e o espaço do jornalismo
A apresentação que deu início na última sessão de trabalhos foi marcada pela análise do humor no jornalismo dentro da plataforma TikTok. O trabalho Esquete e humor: a atuação jornalística da Bloomberg Línea Brasil no TikTok foi apresentado pela mestranda Isadora Ricardo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
“Essa combinação de humor e informação torna o jornalismo mais acessível e atrativo, sem perder credibilidade”, afirmou a pesquisadora. Ela entende que as esquetes de humor reforçam as novas competências e linguagens para alcançar públicos historicamente distantes do tema.
Entre reflexões e críticas do humor no jornalismo, ocorreu a apresentação Et vous trouvez ça «troll»? Des fausses Unes pour une vraie satire des médias sur les réseaux sociaux (E você acha isso "troll" (divertido)? Falsas manchetes para uma verdadeira sátira dos meios de comunicação nas redes sociais, em tradução livre).
s pesquisadores Angelina Toursel e Philippe Useille da Université Polytechnique des Hauts-de-France (UPHF), França, trouxeram um material de teor jornalístico usado como paródias críticas à política e as que usam com a intenção de difamar.
A última apresentação, nomeada Les irrévérences journalistiques comme posture éditoriale en contexte congolais: une inadéquation déontologique entre professionnalisme et survie (A irreverência jornalística como postura editorial no contexto congolês: uma inadequação ética entre profissionalismo e sobrevivência, tradução livre), apresentada por Jéthro Ekoka Bokelo da Université de Kinshasa, (Congo), seguiu com a sátira dentro do jornalismo. A apresentação expôs uma análise das metáforas dentro do jornal para fazer críticas e denúncias a política para o público congolês.
III REIJor continua
O evento continua amanhã com as conferências:
- Former l’esprit critique à l’école secondaire: le jeu comme outil d’éducation aux médias et à l’information
(Treinando o pensamento crítico no ensino médio: os jogos como ferramenta para a educação midiática e informacional, tradução livre)
Colette Brin (Université Laval, Canadá);
- Irreverências : da Ciência à Comunicação Científica
Myrian Del Vecchio de Lima (Universidade Federal do Paraná);
- Après la certitude: ateliers de recherche-création pour un journalisme plus hésitant
(Depois da certeza: oficinas de pesquisa-criação para um jornalismo mais hesitante, tradução livre)
Juliette De Maeyer (Université de Montréal, Canada), Clara Champagne (Université de Montréal), Charlotte Biron (Université du Québec à Montréal, Canada), Frédérick Lavoie (journaliste indépendant).
SBPJor e JPJor
E nesta quarta-feira (4) pela manhã, no Campus Central da UEPG, começa o vigésimo terceiro Encontro Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo e o décimo quinto Encontro de Jovens Pesquisadores em Jornalismo. O evento tem como temática “O Jornalismo diante das desigualdades e conflitos no Sul Global". Para saber mais, confira a programação completa.
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