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Jornalistas argumentam sobre irreverências, divulgação científica e uso do humor

04/11/2025

Notícias da associação

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Divulgação científica

Pesquisa em Jornalismo

A falta de divulgação do trabalho científico afeta os problemas políticos. Esta foi uma das abordagens discutidas durante o segundo dia do Encontros Internacionais de Pesquisa em Jornalismo (REIJor). O evento desta terça-feira (04), acontece no Centro de Cultura, com quatro sessões de apresentação de trabalho. O tema principal do evento é Fazer rir: como o jornalismo é engraçado ou incômodo.

Divulgação científica por meio do humor

A primeira sessão de debate trouxe trabalhos que argumentam sobre as irreverências do jornalismo e a divulgação científica. “O Jornalismo não é o fim, mas sim um meio”, afirma Marie-Christine Lipani, pesquisadora francesa do Institut de Journalisme Bordeaux Aquitaine. Marie-Christine e Adèle Hollebecque trazem a conexão do Jornalismo com questões de saúde mental.

Andressa Kikuty, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), enfatizou a ciência em geral e a pesquisa em jornalismo na universidade. “A divulgação científica tem um problema duplo, que é a desconfiança do público em termos de ciência e em termos de jornalismo”, disse. A estudiosa ressaltou que a UFSC é atacada pela mídia conservadora local.

Já as pesquisadoras Fabiana Moraes e Hellen Gouveia trouxeram uma perspectiva de como as jornalistas mulheres negociam autoridade, humor e credibilidade em coberturas políticas. O trabalho é uma análise do podcast As Cunhãs, que trabalha o humor junto com posicionamento e o rigor jornalístico.

O humor causa uma relação entre o podcast e o público, e também é usado como uma tática para captar a atenção. “A utilização do humor pelo jornalismo vai tensionar questões de objetividade, credibilidade e gênero”, destacou Fabiana.

Irreverência na República Democrática do Congo

David Mukendi, pesquisador da Université Catholique du Congo, afirma que a irreverência é uma forma de combate na República Democrática do Congo. “O jornalismo é uma profissão de combate, e o combate do jornalismo é interno e externo à profissão”, explicou. Ele mostrou que a irreverência é uma postura de combate ou uma estratégia jornalística de informação. 

As irreverências se manifestam como uma forma de crítica política. O jornalismo utiliza uma estratégia de legitimação como forma de resistência do jornalismo crítico dentro deste contexto. Ele chama os cidadãos para este contexto político e se coloca em um campo de combate em defesa do povo.

Deboche no jornalismo brasileiro

O jornal O Pasquim, criado em 1969, foi uma iniciativa de enfrentamento à censura no jornalismo brasileiro a partir do tom do deboche. “O jornalismo se baseou muito no jornalismo estadunidense e O Pasquim se diferenciou disso”, afirma a pesquisadora Marta Maia, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). As entrevistas deste jornal, segundo a pesquisadora, mostram uma luta contra a ditadura, com asteriscos em meio às entrevistas para censurar os palavrões. 

Ironia com resistência

José Ilton Porto, vinculado à Universidade de São Paulo (USP), apresentou a cisheteronormatividade como um resquício da colonização que infere sobre a forma como o jornalismo reproduz narrativas. A ironia, explicou, vem para subverter a hierarquia social. O pesquisador trouxe relatos que demonstram o uso da ironia como uma estratégia política no jornalismo e amplia a possibilidade de representação e diversidade, que tensiona a cisheteronormatividade. 

Os trabalhos

Em ambas as sessões que aconteceram durante a manhã, a irreverência e o humor foram tópicos de debate entre os pesquisadores nacionais e internacionais. Esta é a lista de trabalhos apresentados:

  • A ciência irreverente: O que influenciadores científicos podem ensinar ao jornalismo sobre engajamento com os públicos 

Jacques Mick, Andressa Kikuti-Dancosky, Gabriela Bregolin Grillo, Denise Becker; Luisa Michels, Leandra Cruber (Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, Brasil) 

 

  • Quand des usagers en santé mentale deviennent rédacteurs de presse: Une irrévérence journalistique inclusive 

Marie-Christine Lipani, Adèle Hollebecque (Institut de Journalisme Bordeaux Aquitaine, IJBA, France) 

 

  • Jornalismo, irreverência e gênero: política e subjetividade no podcast As Cunhãs

Fabiana Moraes, Hellen Gouveia (Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, Brasil) 

 

  • L’irrévérence journalistique en République Démocratique du Congo : entre critique, satire et mobilisation citoyenne 

David Mukendi Kalonji  (Université Catholique du Congo, Congo), Pierre N’sana (Université des sciences de l'Information et de la Communication-UNISIC)  

 

  • As entrevistas d’O Pasquim: asteriscos, deboche e subversão no jornalismo brasileiro Ana Cláudia Peres e Marta R. Maia (Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP, Brasil) 

 

  • “Nada contra héteros, tenho até amigos que são”: a ironia como estratégia de resistência à cisheteronormatividade no jornalismo 

José Ilton Porto (Universidade de São Paulo, Brasil) 

Programação 

Os trabalhos da tarde iniciam às 13h30 e são divididos em mais duas sessões. A última sessão do dia inicia às 16h. Os temas abordados serão os listados abaixo:

  • Tentativa de golpe de Estado: análise da representação da denúncia contra Jair Bolsonaro no humorístico Sensacionalista 

Renata de Paula dos Santos (Universidade Estadual de Maringá, UEM, Brasil), Rozinaldo Antonio Miani (Universidade Estadual de Londrina, UEL, Brasil) 

 

  • Contester par l’irrévérence : Norbert Zongo et la presse indépendante en contexte semi-autoritaire au Burkina Faso 

Jean-Pierre Sawadogo (Université Libre de Bruxelles, Belgique) 

 

  • Alberto Cantagalo, poeta do algarve: farsa lítero-jornalística contra o decadentismo-simbolismo português (1892-1893) 

Alvaro Santos Simões Junior (Universidade Estadual Paulista, Unesp, Brasil)

 

  • Esquetes e humor: a atuação jornalística da Bloomberg Línea Brasil no TikTok 

Felipe Moura de Oliveira e Isadora Ricardo (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Brasil) 

 

  • Les irrévérences journalistiques comme posture éditoriale en contexte congolais : une inadéquation déontologique entre professionnalisme et survie 

Jéthro Ekoka Bokelo, Anaclet Vungbo Tene, Phillipe Ntonda Kileuka (Université de Kinshasa, Congo) 

 

  • Et vous trouvez ça « troll » ? Des fausses Unes pour une vraie satire des médias sur les réseaux sociaux 

Angelina Toursel, Philippe Useille (Université Polytechnique des Hauts-de-France, UPHF, France) 

 

A programação dos próximos dias segue na Universidade Estadual de Ponta Grossa campus central e no Auditório do Campus Oficinas da UEPG (Anexo ao Cine-Teatro PAX). Você pode conferir a programação completa aqui.

 

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