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Pesquisadores debatem informalidade, ironia e crítica social no jornalismo contemporâneo

04/11/2025

Notícias da associação

III Reijor

Apresentações trabalhos

Mesas

Na tarde desta segunda-feira (03), foram realizadas duas sessões temáticas durante a terceira edição dos Encontros Internacionais de Pesquisa em Jornalismo (REIJor). A primeira teve como tema Jornalismo, emoção e métricas, quando foram debatidos impactos das transformações digitais e emocionais nas redações locais, enquanto a segunda, Identidade e humor na prática jornalística, enfatizou análises sobre o papel da informalidade, da ironia e da crítica social no jornalismo contemporâneo.

Emoções e métricas no jornalismo

Na primeira apresentação, a pesquisadora Lorraine D’Addario, da Université de Mons & Université Libre de Bruxelles (Bélgica), apresentou o trabalho Attachement et souffrance autour de la pratique journalistique: évolutions managériales et enjeux émotionnels dans les télévisions locales belge francophones (Apego e sofrimento em torno da prática jornalística: desenvolvimentos gerenciais e implicações emocionais em emissoras de televisão locais francófonas da Bélgica, em tradução livre).

A partir de uma pesquisa que se utilizou de entrevistas e de observação direta, a autora procurou enfatizar as emoções que a paixão pelo jornalismo pode causar no profissional. “Há uma relação identitária entre jornalista e redação”, apontou.

Durante a apresentação, ela buscou estabelecer uma relação entre o sentimento positivo que os jornalistas têm da profissão e os negativos resultantes do cotidiano na redação. A defesa de que o exercício do jornalismo vai persistir mesmo onde não há lugar para ele está ligada também ao tema geral do III REIJor, que neste ano trata sobre As Irreverências do Jornalismo.

Pensar em pertencimento também é falar sobre aqueles jornalistas que estão no limbo entre defender a atividade, mas que não exercem a profissão de forma tradicional. Esse foi o recorte escolhido por Laura Storch e Paola Jung, pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no trabalho As fronteiras do jornalismo em GZH: uma análise do profissionalismo no contexto da metrificação.

A análise das autoras, feita na redação do GZH, especificamente no Núcleo de Trends e do Núcleo de Distribuição e Redes Sociais, teve como recorte específico jornalistas que trabalham com a ideia de estar na condição de mediadores entre produção e distribuição de conteúdo. 

Elas perceberam que os jornalistas tendem a sentir certa responsabilidade em distribuir conteúdos jornalísticos com maior alcance que os boatos que desinformam. “Não adianta fazer jornalismo se ele não chegar ao público”, destacou Laura.

A irreverência, o humor e as plataformizações

O jornalismo passa a se configurar a partir de uma lógica de plataformização, e a busca por audiência ganha novas conotações. Essa temática foi estudada por Rodrigo Martins Aragão, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no trabalho Postura e identidade jornalística como estratégias de interação: informalidade e irreverência nos modos de endereçamento e na construção do ethos no telejornalismo. “Com as novas plataformas, o acesso à vida dos apresentadores ocorre mais facilmente, o que faz com que a confiança individual tenha tido cada vez mais importância para os telespectadores”, explicou. 

A proximidade entre autor e leitor como uma forma de ver como o humor e a irreverência do jornalismo alteram ou se ligam com o do público, sendo esta justamente a prosta de Joël Langonné (Université Catholique de l’Ouest, France) e Olivier Trédan (Université de Rennes, France) em Les irrévérences des amateurs dans l’espace local, une révérence au Journalisme? (Irreverência entre amadores na esfera local: uma reverência pelo jornalismo?, em tradução livre).

Para refletir a irreverência dentro e fora do jornalismo e a submissão às plataformas, Lucas Cabral e Natália Huf, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), apresentaram o trabalho intitulado Para imaginar uma irreverência crítica: jornalismo entre a inovação e a submissão às plataformas. Analisando a plataformização como uma nova fase do capitalismo, a pesquisadora afirmou: “A indústria do jornalismo sofre interferências diretamente nessas mudanças”. 

III Reijor

O evento continua durante terça (04) no Centro de Cultura e quarta-feira (05), no campus Central da UEPG. A programação do 23º SBPJor e 15º JPJor pode ser acessada aqui.

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