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Alexander Brilhante Coelho

USP
Alexander Brilhante Coelho
Mario Schenberg (1916-1990) foi um dos mais importantes físicos do Brasil, e uma importante personalidade da vida cultural nacional no século XX. Primeiro aluno egresso da Universidade de São Paulo a se tornar professor catedrático da mesma instituição, Schenberg foi também um dos primeiros físicos brasileiros a construir uma reputação internacional, reputação essa que, durante o zigue-zague de prisões e habeas corpus a que foi submetido já nos primeiros dias após o golpe militar de 1964, permitiu que a denúncia ao regime de exceção alcançasse a comunidade científica internacional. Físicos na Alemanha, nos Estados Unidos, no Japão, na Itália e na França se mobilizaram contra a perseguição a Schenberg, expondo, fora das fronteiras nacionais, o processo de solapamento da democracia brasileira. Nos anos 1980, durante o processo que levou ao fim da ditadura militar, Schenberg voltava ao debate público com uma imagem que oscilava entre o gênio e o sábio, passando a ser uma figura com bastante peso simbólico durante o processo de redemocratização brasileiro. Neste contexto, Schenberg se transforma em um autor, publicando alguns livros, como o Pensando a Física, em que suas ideias sobre a ciência se entrelaçam com ideias sobre filosofias orientais, paranormalidade e outros mistérios: ideias heterodoxas, que costumam ser banidas do que costuma ser considerado um discurso legítimo sobre a ciência, mas que circulavam com força no cenário contracultural dos anos entre as décadas de 1960 e 1980. Em nossa apresentação - baseada em nossa tese “Prestígio e heterodoxia: paranormalidade e outros mistérios na obra de Mario Schenberg nos anos 1980”, vencedora do prêmio de melhor tese da Sociedade Brasileira de História da Ciência em 2024 - procuraremos reconstruir a trajetória intelectual de Schenberg, como o objetivo de compreender esse singular entrecruzamento entre ciência, política e contracultura.
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