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INDEPENDÊNCIA, SOBERANIA, TRADUÇÃO: O PORTUGUÊS BRASILEIRO ENCARA OUTROS IDIOMAS, E A SI PRÓPRIO (ABRALIN)

Tipo:

Conferência

Categoria:

Sênior

Local:

ICC - Anfiteatro 17

Data e hora:

12:00 até 13:30 em 26/07/2022

Cortar laços de subordinação com uma metrópole é, ao mesmo tempo, estabelecer relações entre iguais com todas as outras nações. Um país torna-se independente não para se fechar, mas para se abrir finalmente à interdependência econômica, cultural. E esse trânsito passa necessariamente pelo desenvolvimento da atividade de tradução literária. Trazer para a nossa língua obras escritas nos idiomas mais diversos, e nos mais diferentes momentos históricos, é possibilitar que nossos cidadãos possam acessar o pensamento e a criatividade mundiais. Essa atividade, portanto, foi e continua sendo fundamental para a inclusão do Brasil no grande diálogo mundial das letras, tanto no que se refere à divulgação de nossos autores no estrangeiro (os casos de Machado de Assis, Clarice Lispector e Guimarães Rosa vêm à mente), quanto no que se trata da recepção entre nós de movimentos literários inteiros (como no caso do modernismo, de nomes como James Joyce e T. S. Eliot). Mas a situação Brasileira tem ainda uma especificidade no fato de que as características do processo de colonização (presença avassaladora de africanos escravizados, massacre dos povos originários, politização das “línguas gerais”) acabaram redundando num verdadeiro abismo sociolinguístico que cliva há séculos esse país tão pacificadamente “monolíngue”. Falamos “o nosso português”, mas nem sempre nos sentimos à vontade para usá-lo nos meios formais. E nem sempre os escritores brasileiros atacaram de frente esse problema. Tradutores, porém, muitas vezes não tiveram escolha. Diante da necessidade de reproduzir a diversidade real da sociolinguística dos idiomas de que traduziam, eles e elas muitas vezes se viram na linha de frente de um processo ainda em andamento que, além de cimentar a interdependência de nossa cultura em relação à das outras nações, tem importância fulcral para a “naturalização” dos usos do português brasileiro.