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Conversações sobre o avanço da extrema direita e a força do ultraconservadorismo no Brasil: repercussões na vida das crianças e na educação infantil

Tipo:

Trabalho Encomendado

Categoria:

GT07 - Educação de Crianças de 0 a 6 anos

Local:

Sala GT07

Data e hora:

12:00 até 14:00 em 27/10/2025

Este trabalho encomendado se realizará sob a forma de conversação e aspira debater as questões contemporâneas relativas às urgências climáticas, políticas e éticas que incidem sobre as crianças, as infâncias e a sua educação. Primeiramente pretende-se apontar os principais temas que afetam diretamente às crianças em seus modos de vida, particularmente: as guerras, as discriminações, as precariedades, e os dispositivos tecnológicos que incidem sobre as crianças em suas infâncias com o objetivo de controlá-las e produzir determinadas crianças e subjetividades recolocando de maneira incisiva a questão que já foi posta por Félix Guattari (1987) sobre como “evitar que as crianças se prendam as semióticas dominantes ao ponto de perder muito cedo toda e qualquer liberdade de expressão?”. E ao mesmo tempo, de que maneira as crianças atuam e respondem singularmente a esses dispositivos produzindo territórios criativos, próprios e singulares? A conversação pretende também, ao tomar a criança nas suas agências ativas, em suas resistências singulares aos vários dispositivos acionados na disputa pelo controle de seus corpos, entender qual o ponto de vista que devemos adotar para aceder ao ponto de vista da criança, ou seja, sob qual perspectiva metodológica e ética as pesquisas com crianças devem se atentar? Neste percurso, pretendemos mostrar a agência das crianças na guerra civil americana, apontada por Angela Davis (2018), na luta contra o apartheid, nas intifadas palestinas nas quais as crianças jogam bombas nos tanques israelenses, a presença das crianças com seus cartazes na passeata do #elenão#, na ocupação das escolas em São Paulo, quando quiseram mudá-las de suas escolas, nas ocupações dos prédios abandonados, nas esquinas das ruas, nas travessias migratórias perigosas do mediterrâneo, elas estão por toda a parte, como sombras ativas da história, muitas vezes não contadas, pois elas não são porta vozes de si próprias. As guerras contemporâneas que pretendemos cartografar não são apenas entre países, há as guerras civis, que são contra a própria população vinculadas a uma espécie de guerra “biológica”, como sugere Alliez e Lazzarato (2016). No Brasil são contra os negros, contra as sexualidades dissidentes, contra algumas mulheres e contra algumas crianças e além obviamente contra os jovens negros. Os alvos preferenciais da guerra do Estado brasileiro contra as crianças têm sido nomeados de “balas perdidas”, é quase como se fosse algo inofensivo, são balas apenas, não são balas perdidas, são balas mortíferas direcionadas contra as crianças negras e pobres. Mbembe (2016) se pergunta: “[...] sob quais condições práticas se exerce o direito de matar, deixar viver ou expor à morte? Quem é o sujeito dessa lei? O que a implementação de tal direito nos diz sobre a pessoa que é, portanto, condenada à morte e sobre a relação antagônica que coloca essa pessoa contra seu ou sua assassino/a”? Por fim, pretendemos mostrar a importância decisiva da Educação Infantil mostrando as vertentes que crescem ao disputar a educação da criança pequena, de um lado, a neurociência que as caracterizam como seres neurotransmissores, tudo para enfatizar que na infância e precocemente podemos intervir e expandir as possibilidades de aprender. Outra ênfase excessiva: as avaliações de larga escala como estratégia de compor um currículo e criar realidade, sendo essas as funções centrais das avaliações, há a vertente econômica a qual pensa a criança como investimento que resulta em aumento do PIB, além de uma outra corrente que pretende gravitacionar a Educação Infantil à escola, fazendo da Educação Infantil a antessala de conteúdos que virão, enfatizando e antecipando algo que consideram como aprendizagens. A questão que se coloca e que está em disputa é: qual a função, o caráter e a singularidade da Educação Infantil? Ao compreendermos que a educação infantil realiza as primeiras iniciações sociais o que se impõe para a educação das crianças é: como lutar contra os protocolos das normatividades hegemônicas que hierarquizam raças, gêneros, sexualidades priorizando os modos de vida familiares, personológicos, hegemônicos? É função da Educação Infantil que necessita ser repolitizada propor um trabalho incessante contra todas as formas de discriminação, racismos e fascismos. Por fim, pretendemos fazer um diagnóstico do presente mostrando que a ascensão da extrema direita em suas pautas identitárias, normativas, moralistas, produzem modos de vidas, de um lado, os chamados de “empreendedores” que nada mais são do que patrões e empregados de si próprios cujo efeito é uma redistribuição generalizada da precariedade, e de outro lado, um aprofundamento do antropocentrismo que coloca em perigo o planeta, cujo efeito deste processo de abocanhar o planeta pelo capital, tem produzido mudanças e urgências climáticas que colocam em risco à vida e o próprio planeta. Mas afirmamos que sempre nasce uma infância, que é o outro possível no e do mundo!
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